BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os alarmes de incêndio nas oito torres do conjunto residencial de Wang Fuk Court, em Hong Kong, não funcionaram após testes, afirmou o Corpo de Bombeiros após a conclusão dos trabalhos para apagar o fogo que deixou ao menos 128 mortos.
Os testes dos bombeiros confirmam relatos de residentes que conseguiram escapar das chamas e disseram não ter escutado alarmes. O diretor do Corpo de Bombeiros, Andy Yeung Yan-kin, afirmou que a corporação vai processar a empreiteira responsável pela reforma por causa do mal funcionamento dos equipamentos.
Desses 128 mortos, 108 foram encontrados já sem vida nos prédios, segundo autoridades. Entre as pessoas mortas, 80 não puderam ser identificadas, segundo o secretário de Segurança de Hong Kong, Chris Tang Ping-keung. Ele não especificou o motivo. Tang afirma ainda que 200 pessoas estão desaparecidas, o que inclui as 80 cujos corpos não puderam ser identificados.
“Não descartamos a possibilidade de que mais corpos podem ser descobertas quando a polícia entrar nos prédios para investigações detalhadas”, afirmou Tang. Segundo ele, os esforços de resgate já foram concluídos, e o número de feridos foi a 79, incluindo 12 bombeiros.
“Nossa meta agora é garantir que a temperatura do prédio abaixe e, assim que tudo seja considerado seguro, a polícia vai coletar evidência”, disse ele.
Os moradores do complexo habitacional foram informados pelas autoridades no ano passado que enfrentavam “riscos de incêndio relativamente baixos” após reclamarem repetidamente sobre os perigos de incêndio representados pelas obras de renovação nos prédios, disse à agência Reuters o Departamento do Trabalho da cidade.
Os residentes haviam manifestado preocupações sobre as reformas em setembro de 2024, incluindo sobre o potencial inflamável da malha protetora verde que os empreiteiros usavam para cobrir os andaimes de bambu erguidos ao redor dos edifícios, disse um porta-voz do departamento em um email à agência de notícias.
Enquanto os bombeiros terminavam de conter o incêndio, as famílias de vítimas tiveram de lidar com a tarefa de olhar fotografias dos mortos tiradas pelos socorristas para identificar corpos.
Mirra Wong, cujos pais moravam em Wang Fuk Court, estava procurando notícias do pai. “Apenas olhei alguma foto que talvez seja do corpo do meu pai. O corpo do meu pai ainda está desaparecido aqui”, disse Wong, 48.
Outra moradora, que não quis ser identificada, disse que a esposa de um amigo estava entre os desaparecidos. “Racionalmente falando, não há esperança”, disse ela. “Mas os corpos ainda precisam ser encontrados, certo? É simplesmente muito doloroso. Quando envolve pessoas que você conhece, é ainda mais doloroso.” As doações para o fundo de auxílio às vítimas já ultrapassaram US$ 100 milhões.
Na quinta, o Corpo de Bombeiros disse ter recebido relatos de que um incêndio havia começado em Wang Fuk Court, complexo habitacional composto por oito blocos e quase 2.000 unidades residenciais próximo à divisa do território autônomo chinês com o restante da China. O complexo faz parte de um programa de subsídios para casa própria do governo local e foi inaugurado em 1983.
A polícia informou que, além de os prédios estarem cobertos com telas de proteção e plástico que não atendiam aos padrões de segurança contra incêndio, as janelas de uma construção não afetada estavam seladas com um material de espuma instalado por uma construtora que fazia trabalhos de manutenção.
“Temos motivos para acreditar que os responsáveis da empresa foram extremamente negligentes, o que levou a este acidente e fez com que o fogo se alastrasse de forma descontrolada, resultando em um grande número de vítimas”, disse Eileen Chung, superintendente da polícia de Hong Kong.
A Comissão Independente contra a Corrupção de Hong Kong afirmou nesta sexta que prendeu mais 6 pessoas suspeitas relacionadas à reforma dos prédios, além de dois diretores da empresa responsável que também já haviam sido detidos.
O incêndio é o mais mortal de Hong Kong desde 1948, quando 176 pessoas morreram em fogo em um armazém.
Fonte:Notícias ao minuto



