China investiga general por minar autoridade do presidente Xi Jinping



Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas neste sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “não há tolerância na luta contra a corrupção”.

Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas abaixo da de Xi Jinping, que lidera o órgão. Ele também é um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), que está no poder.

“Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e violaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, afirma o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua.

O artigo acusa os dois generais de “agravarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”.

“Eles causaram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, ao ambiente político das Forças Armadas e à preparação geral para o combate, o que representa um impacto negativo significativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento.

Além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objetivo das purgas militares promovidas por Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército combate a corrupção, mais forte e puro ele se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily.

Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do presidente chinês, em parte porque os pais de ambos — o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959–1965) Xi Zhongxun — lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China, em 1949.

De acordo com fontes anônimas citadas pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, a acusação contra Zhang — que teria sido detido na última segunda-feira — envolve corrupção, “falha no controle” de colaboradores próximos e familiares, além de não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC de forma imediata.

Tanto Zhang quanto Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da liderança da CMC com experiência real de combate — ambos participaram das campanhas contra o Vietnã no fim dos anos 1970 — estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi nesta semana, o que gerou especulações sobre seu paradeiro.

Desde que chegou ao poder, em 2012, Xi promoveu sucessivas purgas no alto comando das Forças Armadas, com o objetivo tanto de combater a corrupção em suas fileiras quanto de reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.

Durante o terceiro mandato de Xi, iniciado em 2022, como consequência dessas purgas, o número de membros da CMC foi reduzido de sete para quatro, a estrutura mais enxuta desde o fim do maoísmo, em 1976.

Comandantes de diferentes ramos das Forças Armadas, comissários políticos e até ministros da Defesa estiveram na mira nos últimos anos, com um ponto culminante em outubro do ano passado, quando as autoridades chinesas anunciaram a expulsão do Exército e do PCC de até nove generais.

O caso mais notório foi o de He Weidong, que chegou a ser o “número 3” do Exército após uma ascensão meteórica em 2022 e que, depois de se posicionar logo atrás de Xi e Zhang na hierarquia militar, desapareceu da cena pública em março de 2025, antes de ser formalmente acusado de corrupção.

A expulsão de He do EPL e do PCC foi histórica, pois ele se tornou o primeiro vice-presidente uniformizado da CMC a ser destituído durante o exercício do cargo em quase seis décadas. O último caso semelhante havia sido o de He Long, em 1967, durante a Revolução Cultural chinesa (1966–1976).

Outros líderes militares de destaque recentemente expurgados incluem Miao Hua, um almirante considerado próximo de Xi; os ex-ministros da Defesa Wei Fenghe (2018–2023) e Li Shangfu (março–outubro de 2023); e os comandantes da Força de Foguetes Li Yuchao e Wang Houbin.

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Fonte:Notícias ao minuto

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