Operação federal investiga assassinato de oito lideranças rurais em Rondônia

Polícia Federal cumpre mandados em três cidades para esclarecer crimes ligados a conflitos agrários ocorridos entre 2009 e 2016

A Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público Federal, deflagrou nesta terça-feira (14) uma operação para investigar o assassinato de oito trabalhadores rurais e lideranças camponesas em Rondônia. Os crimes, ocorridos entre 2009 e 2016, estão relacionados a conflitos agrários e à luta contra a ocupação ilegal de terras na região.

A investigação, que foi federalizada por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), busca identificar os autores dos homicídios, esclarecer as circunstâncias dos crimes e reunir provas. Ao todo, a Justiça Federal autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari e Ji-Paraná.

Entre as vítimas estão nomes como Renato Nathan Gonçalves, Gilson Gonçalves, Élcio Machado, Dinhana Nink, Gilberto Tiago Brandão, Isaque Dias Ferreira, Edilene Mateus Porto e Daniel Roberto Stivanin — todos ligados, de alguma forma, à defesa de trabalhadores rurais ou denúncias de irregularidades fundiárias.

Alguns casos tiveram grande repercussão. Edilene Mateus e Isaque Dias foram assassinados em 2016, na região de Alto Paraíso, após denunciarem grilagem de terras públicas e atuarem em defesa de moradores do Acampamento 10 de Maio. Já Dinhana Nink foi morta aos 27 anos, com um tiro no peito, na frente do filho, em Nova Califórnia.

Outro caso marcante é o do professor Renato Nathan Gonçalves, executado aos 28 anos enquanto retornava para casa, na zona rural de Campo Novo. O corpo dele chegou a ser exumado pela Polícia Federal durante as investigações.

Segundo a PF, os crimes podem ser enquadrados como homicídio qualificado, com penas que variam de 12 a 30 anos de prisão, além de possível associação criminosa. As investigações seguem em andamento.

Screenshot

Loading...
G-85M2RY8Z3B