O Exército dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que concluiu uma nova rodada de ataques aéreos contra o Irã. Pela primeira vez nesta fase do conflito, os bombardeios atingiram áreas localizadas no norte do país.
A imprensa estatal iraniana relatou explosões nos arredores de Teerã durante a ofensiva mais recente. Os ataques fazem parte da disputa pelo controle do estreito de Hormuz, rota estratégica do Golfo Pérsico por onde, em períodos de normalidade, passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural consumidos no mundo.
Segundo os veículos iranianos, a província de Semnan também foi atingida. A região abriga instalações ligadas à produção de mísseis balísticos e ao programa espacial do país. Até o momento, não há informações detalhadas sobre danos ou vítimas nesses locais.
Na madrugada desta quinta-feira, o Irã também lançou ataques contra o Bahrein e o Kuwait. A ofensiva ocorreu depois que os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio naval e ampliaram a campanha aérea em resposta às ações iranianas contra embarcações que tentavam atravessar o estreito.
A troca de ataques entre Washington e Teerã ao longo dos últimos dias enfraqueceu o acordo provisório firmado para interromper os combates e aumentou o risco de uma nova escalada militar no Oriente Médio.
Os Estados Unidos haviam imposto um bloqueio à região em abril, mas suspenderam a medida no mês passado, após a assinatura de um entendimento temporário que previa 60 dias de negociações sobre temas como o programa nuclear iraniano.
As conversas, porém, ficaram paralisadas com o aumento da disputa pelo controle do estreito.
Quando Estados Unidos e Israel iniciaram a ofensiva contra o Irã, em 28 de fevereiro, Teerã interrompeu praticamente todo o tráfego marítimo pela passagem. A medida provocou alta nos preços do petróleo, dos fertilizantes e de outros produtos, além de ampliar o poder de pressão iraniano nas negociações.
A elevação dos preços representa um desafio para o presidente Donald Trump e para o Partido Republicano, que tenta manter o controle do Congresso nas eleições de novembro. Washington também enfrenta dificuldades para restabelecer a circulação normal de navios na região.
Cerca de 24 horas após a retomada do bloqueio, militares americanos abriram fogo contra um navio mercante e o neutralizaram. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou interromper todas as exportações de energia do Oriente Médio.
“A exportação de petróleo e gás da região será para todos ou para ninguém”, declarou a força de elite do Irã.
Pouco depois de os Estados Unidos iniciarem a terceira rodada de bombardeios, Trump afirmou que o governo iraniano estaria disposto a negociar um acordo de paz, mas não apresentou detalhes.
“Eles não gostam do que estamos fazendo e querem chegar a um entendimento. Vamos ver se conseguimos um acordo ou se simplesmente encerramos isso”, disse na quarta-feira, durante um evento no Colégio de Guerra do Exército dos Estados Unidos, na Pensilvânia.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que dezenas de alvos foram atingidos na quarta-feira. Parte dos bombardeios ocorreu durante o dia, o que é considerado incomum e indica uma intensificação do ritmo das operações.
Entre os locais atacados estava a ilha de Greater Tunb, considerada estratégica para o controle do estreito de Hormuz. Outra ofensiva atingiu um quartel da 388ª Brigada de Infantaria Mecanizada iraniana, na província de Sistão e Baluchistão.
De acordo com autoridades iranianas, os ataques realizados na quarta-feira mataram ao menos sete militares e deixaram centenas de feridos em diferentes regiões.
O porta-voz do Ministério da Saúde do Irã, Hossein Kermanpour, informou que mais de 35 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas nos bombardeios americanos dos últimos dias. Este foi o primeiro balanço oficial divulgado pelo governo iraniano nesta nova fase do conflito.
Enquanto isso, os preços do petróleo continuam em alta. O barril do Brent, referência internacional, superou os US$ 85 na quarta-feira, valor mais de 15% acima do registrado antes da guerra, embora ainda distante dos quase US$ 120 alcançados no auge do conflito.
Analistas do Fundo Monetário Internacional alertaram que o excedente global de petróleo vinha ajudando a conter os preços, mas que boa parte dessa margem de segurança já foi consumida.
Fonte:Notícias ao minuto



