Os Estados Unidos pretendem ampliar para operações em terra a ofensiva militar contra grupos ligados ao narcotráfico na América Latina. O plano foi anunciado pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, durante uma viagem ao Panamá, onde representantes de diferentes países participam de ações de cooperação na área de segurança.
A proposta representa uma nova etapa da estratégia adotada pelo governo do presidente Donald Trump contra organizações classificadas por Washington como terroristas. Desde setembro de 2025, forças americanas realizam ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no leste do Oceano Pacífico. Segundo dados divulgados pela AFP, essas operações deixaram ao menos 215 mortos.
Agora, o Pentágono quer aplicar em território terrestre uma capacidade militar semelhante à utilizada contra as chamadas narcolanchas. Colômbia e Equador foram citados por Hegseth entre os países com os quais os Estados Unidos trabalham para desenvolver esse tipo de ação.
“Será o mesmo efeito em terra, e por isso estamos trabalhando com Equador, Colômbia, com parceiros para levar a luta às DTO em terra”, afirmou Hegseth, em referência às organizações designadas como terroristas.
Colômbia discute operações conjuntas com os EUA
A possibilidade de ações militares em solo colombiano também foi abordada nesta semana durante encontro da Coalizão Anticartéis das Américas, no Panamá.
Segundo Hegseth, o novo governo da Colômbia autorizou discussões sobre operações militares conjuntas contra grupos armados considerados terroristas pelos Estados Unidos. Entre os possíveis alvos estão o Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidências das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O governo americano também anunciou a intenção de destinar US$ 1 bilhão em assistência de segurança à Colômbia. O país passou a integrar a iniciativa regional liderada pelos Estados Unidos para reforçar o combate ao tráfico de drogas e a organizações criminosas.
Hegseth afirmou que grupos classificados como organizações terroristas poderão ser considerados alvos legítimos quando houver cooperação com os governos dos países onde atuam. O secretário comparou essas organizações a grupos como Estado Islâmico e Al Qaeda.
Coalizão reúne 19 países
As operações terrestres fazem parte das discussões da Coalizão Anticartéis das Américas, aliança que reúne 19 países sob liderança dos Estados Unidos. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru estão entre os integrantes. O Brasil e o México não fazem parte do grupo.
Embora a estratégia esteja sendo construída inicialmente com países parceiros, Hegseth indicou que Washington considera agir contra organizações que representem ameaça aos Estados Unidos ou aos seus aliados onde quer que estejam.
“Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda”, declarou.
Ataques americanos são alvo de questionamentos
A expansão das operações ocorre enquanto os ataques realizados pelos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de tráfico são alvo de questionamentos jurídicos e de organizações de direitos humanos.
Críticos argumentam que o uso de força letal sem julgamento pode configurar execução extrajudicial. A administração Trump, porém, sustenta que está em conflito armado com organizações classificadas como narcoterroristas e defende as ações como parte da proteção do território americano.
Hegseth rejeitou a possibilidade de tratar os suspeitos apenas por meio do sistema judicial.
“Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano”, afirmou.
O anúncio amplia uma política que ganhou força desde 2025, quando Washington passou a empregar diretamente as Forças Armadas em operações contra grupos ligados ao narcotráfico na América Latina, em uma mudança em relação ao modelo tradicional de apoio, treinamento e fornecimento de equipamentos às forças de segurança locais.
Fonte:Notícias ao minuto



