
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A guerra no Iêmen, novo cenário ativo do conflito no Oriente Médio, escalou ainda mais nesta quarta-feira (16).
Forças de Riad bombardearam diversas posições dos houthis do Iêmen ao longo da fronteira entre os dois países. Com isso, chegou a 450 o número de ataques nesta semana, segundo o comando dos rebeldes pró-Irã que tomaram a capital iemenita, Sanaa, em 2014.
De seu lado, os houthis disseram ter bombardeado uma instalação da estatal saudita Aramco no terminal petrolífero de Yanbu.
O local é o principal porto de exportação de Riad no mar Vermelho e vinha servindo de alternativa devido à obstrução do trânsito no estreito de Hormuz -cortesia da guerra entre Donald Trump e o Irã, que controla a via.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse nesta quarta que suas forças também derrubaram um caça F-15 saudita que participava dos ataques usando um míssil. Riad não comentou o episódio, sobre o qual não há ainda evidências como destroços ou vídeos.
Saree também anunciou mais um ataque à base Rei Khalid, em Khamis Mushait (sudoeste saudita). O local, que já foi atingido por mísseis nesta fase do conflito, sedia esquadrões justamente do F-15, inclusive a versão E, especializada em ataque tático.
Na véspera, um drone houthi havia sido abatido nas cercanias de Meca, a cidade mais sagrada do muçulmanismo, na Arábia Saudita. Os rebeldes negaram a ação, filmada, e a Liga Árabe a condenou nesta quarta.
O governo do reino desértico não falou sobre ações que não o ataque em Meca, como é praxe, mas elas foram confirmadas por seus aliados iemenitas baseados no porto de Áden (sul).
O governo expulso da capital, apoiado por sauditas, e outros grupos apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, viveram uma guerra civil aberta com os houthis. Esse conflito estava congelado desde 2022, mas a guerra de Trump acabou por reabrir as hostilidades em julho.
Os houthis estavam apoiando o Irã no conflito e haviam atacado pontualmente Israel, mas ainda não tinham retomado a campanha de ações no mar Vermelho que bagunçou o comércio marítimo mundial de 2023 a 2025, em apoio aos terroristas palestinos do Hamas na guerra contra o Estado judeu.
Mas foi um bloqueio aéreo a Sanaa que levou à escalada, que de resto ocorre quando o Irã precisa de mais cartas para negociar algum tipo de acomodação com os EUA. Desde que a crise recrudesceu, o preço do petróleo disparou, chegando à casa dos US$ 108 o barril de contratos futuros -ante US$ 70 antes da guerra iniciada em fevereiro.
Áden vive a apreensão de ser o próximo alvo da ofensiva relâmpago dos rebeldes. Após anos sem se mexer, eles tomaram toda a costa iemenita do mar Vermelho e colocaram o estratégico estreito de Bab el-Mandeb na mira de seus mísseis e drones.
Com isso, pretende impor com mais eficácia o bloqueio aos portos sauditas da região, principalmente Yanbu, ligado aos campos produtores do leste do país por um oleoduto que foi atacado por drones lançados supostamente por grupos pró-Irã do Iraque na semana passada.
A via, que servia para driblar o fechamento de Hormuz, foi interrompida, levando ao temor de que até 4% do petróleo do mundo seja bloqueado. A Aramco não comentou acerca do ataque desta quarta, e executivos da empresa acreditam que o fluxo no oleoduto possa ser retomado em breve, embora isso seja incerto.
Tudo isso levou à elevação do preço do petróleo e a uma maior pressão sobre Trump. Em novembro, seu Partido Republicano pode perder o controle que tem hoje do Congresso, com a guerra e a inflação de combustíveis como item de desgaste.
O cenário fez o republicano até anunciar uma trégua inexistente entre Rússia e Ucrânia acerca de ataques ao setor de energia dos dois países, como se isso fosse a causa única e não só uma contribuinte da escalada global de preços.
A Arábia Saudita chegou a pedir, segundo relatos não negados, para que Trump ajudasse a atacar os houthis, como fez em apoio a Israel antes. Mas o americano não aceitou, calculando presumivelmente o dano eleitoral de uma nova frente.
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Fonte:Notícias ao minuto


