O porta-voz militar dos rebeldes Huthis, Yahya Sarea, denunciou nesta segunda-feira (21) 28 novos ataques da Arábia Saudita contra diferentes pontos do Iêmen nas últimas 24 horas, em meio à escalada de tensão no país.
Em comunicado divulgado pelo Telegram, Sarea afirmou que os ataques aéreos sauditas atingiram as províncias de Taiz, Al-Jawf e Marib.
Segundo o porta-voz, foram utilizados “aviões F-15 e Typhoon que decolaram das bases aéreas [sauditas] de Khamis Mushait e Taif”.
Sarea acrescentou que os novos bombardeios elevaram para 760 o número total de ataques aéreos desde o início da atual escalada entre os Huthis, apoiados pelo Irã, e o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente, que conta com o apoio da Arábia Saudita.
O porta-voz não especificou quais locais foram atingidos nas três províncias nem apresentou informações sobre possíveis vítimas ou danos provocados pelos ataques denunciados.
Huthis dizem que quatro civis morreram
O Ministério da Saúde controlado pelos Huthis afirmou que os ataques sauditas deixaram quatro civis mortos e outros quatro feridos.
Segundo comunicado divulgado pela agência de notícias iemenita SABA, bombardeios contra torres de telecomunicações em Al-Jawf, próximo à fronteira com a Arábia Saudita, provocaram a morte de quatro trabalhadores e deixaram outros três feridos.
As informações divulgadas pelos Huthis sobre vítimas e danos não foram confirmadas de forma independente.
Grupo reivindica ataques contra Riade e instalações da Aramco
Na sexta-feira e no sábado, os Huthis afirmaram ter atacado com mísseis balísticos e “impacto preciso” a capital saudita, Riade, além de instalações da Saudi Aramco no porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Yanbu é considerado um ponto estratégico para as exportações de petróleo sauditas, especialmente em um cenário de dificuldades na navegação pelo Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita confirmou ter interceptado e destruído um míssil lançado contra Riade, mas não comentou as alegações dos Huthis sobre ataques contra Yanbu.
Caso confirmadas, essas ações representariam mais um ataque relevante contra a infraestrutura energética saudita em menos de duas semanas.
Em 11 de setembro, Riade anunciou o fechamento do oleoduto Leste-Oeste após um ataque com mísseis e drones reivindicado pelos Huthis. Segundo as informações divulgadas na ocasião, parte da infraestrutura e estações de bombeamento teriam sido danificadas.
O oleoduto tem capacidade para transportar milhões de barris de petróleo por dia até a costa do Mar Vermelho, funcionando como uma alternativa estratégica às rotas que passam pelo Golfo Pérsico.
Huthis prometem manter ataques contra a Arábia Saudita
Os Huthis afirmam que continuarão os ataques contra a Arábia Saudita e o bloqueio marítimo direcionado a embarcações sauditas no Mar Vermelho enquanto Riade mantiver os bombardeios contra suas posições no Iêmen.
O grupo acusa a Arábia Saudita de intensificar os ataques aéreos após uma ofensiva que permitiu aos insurgentes ampliar o controle sobre a costa oeste do país e sobre áreas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb.
A passagem liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é considerada uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio internacional e para o transporte de energia.
A recente escalada ocorre após anos de relativa redução dos confrontos diretos entre os Huthis e a Arábia Saudita. O conflito no Iêmen se prolonga há mais de uma década e opõe o grupo rebelde, que controla a capital Sanaa e grandes áreas do norte e oeste do país, ao governo reconhecido internacionalmente.
Liga Árabe condena ataques dos rebeldes
No domingo, a Liga Árabe, formada por 22 países, condenou os recentes ataques dos Huthis contra a Arábia Saudita.
A organização classificou as ações como uma “escalada perigosa e inaceitável”, que, segundo o comunicado, “aumentaria a tensão e colocaria em perigo a segurança e a estabilidade” do Oriente Médio.
Fonte:Notícias ao minuto



