
Patrick Clancy explicou por que decidiu perdoar a ex-mulher, Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos do casal em Massachusetts, nos Estados Unidos. Em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, ele afirmou acreditar que o estado de saúde mental de Lindsay foi decisivo para o que aconteceu em janeiro de 2023.
Foi a primeira entrevista de Patrick à televisão desde que o julgamento terminou sem veredicto no início de setembro. Lindsay se declarou inocente por falta de responsabilidade criminal, e sua defesa sustenta que ela sofria de psicose pós-parto no momento das mortes. A promotoria ainda não informou se haverá um novo julgamento.
“Eu seria consumido por dentro para sempre”
Ao falar sobre o perdão, Patrick disse que nunca concordou com os rótulos usados para definir a ex-mulher depois da tragédia.
Ele contou que viu Lindsay ser chamada de “mãe assassina”, “assassina de bebês” e “monstro”, mas afirmou não considerar essas descrições adequadas ao que acredita ter ocorrido.
Para Patrick, a condição mental da ex-mulher foi fundamental para entender o episódio.
“Acredito que foi sua doença mental que provocou aquilo”, afirmou.
Ele explicou que o perdão também se tornou uma forma de conseguir seguir vivendo depois da perda dos filhos.
“Se eu não chegasse a esse ponto, seria consumido por dentro para sempre”, declarou.
Questionado se Lindsay alguma vez havia pedido que ele a perdoasse, Patrick respondeu: “Não. Mas eu dei esse perdão a ela”.
Defesa alega psicose pós-parto
Lindsay Clancy, atualmente com 36 anos, foi acusada das mortes de Cora, Dawson e Callan, que tinham 5 anos, 3 anos e 8 meses, respectivamente.
A defesa não contesta que Lindsay matou as crianças, mas argumenta que ela não poderia ser considerada criminalmente responsável porque sofria de uma doença mental grave. Durante o julgamento, os advogados sustentaram que ela apresentava psicose pós-parto.
A psicose pós-parto é uma condição psiquiátrica rara e grave que pode surgir após o nascimento de um bebê e envolver alterações profundas de percepção, pensamento e comportamento.
Patrick afirmou que percebeu uma deterioração na saúde mental de Lindsay nos meses anteriores à tragédia e que o casal buscou atendimento médico.
“Acho que fiz o melhor que podia com o que tinha naquele momento. E vivo com o resultado. Vivo com isso todos os dias”, afirmou durante a entrevista.
Patrick e Lindsay também moveram ações contra profissionais e instituições de saúde envolvidos no tratamento dela, alegando falhas na assistência prestada.
Julgamento terminou sem decisão
O julgamento de Lindsay começou em julho e terminou em 4 de setembro sem que os jurados chegassem a uma decisão unânime.
Onze dos 12 integrantes do júri teriam considerado que ela não deveria ser responsabilizada criminalmente em razão de sua condição mental. Um único jurado discordou, o que levou o juiz a declarar a anulação do julgamento.
A defesa entrou posteriormente com um pedido para que as acusações sejam arquivadas. A próxima audiência está marcada para 29 de setembro, no Tribunal Superior de Plymouth, em Massachusetts.
Patrick diz que quer preservar memória dos filhos
Durante a entrevista, Patrick também criticou as teorias que passaram a circular nas redes sociais durante o julgamento, algumas delas sugerindo que ele teria algum tipo de responsabilidade pelas mortes.
Ele classificou as especulações como “profundamente prejudiciais para o legado dos meus filhos” e afirmou que elas desviam a atenção de um tema que considera central: a saúde mental perinatal.
Patrick se mudou posteriormente para Nova York, onde reconstruiu a vida. Ele se casou com a médica Rachel Danis, e os dois planejam formar uma família. Ao falar sobre o futuro, disse que pretende contar aos próximos filhos sobre Cora, Dawson e Callan.
Fonte:Notícias ao minuto


