Os Estados Unidos definiram um plano em três etapas para a Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro. A estratégia, anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, prevê ações de estabilização, recuperação e transição política no país.
Segundo Rubio, o plano não foi improvisado. Em declaração a jornalistas no Capitólio, quatro dias depois da detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o secretário afirmou que a administração dos EUA já tinha uma estratégia estruturada para o cenário venezuelano. O casal foi transferido para Nova York, onde responde a acusações na Justiça americana.
Antes disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia afirmado que Washington iria “dirigir a Venezuela” até que o processo de transição de poder estivesse concluído. “Não queremos que o país mergulhe no caos”, reforçou Rubio.
Estabilização
A primeira fase do plano é a estabilização. De acordo com o secretário de Estado, parte central dessa etapa é o controle exercido pelos Estados Unidos sobre a situação econômica do país, especialmente no setor energético. Rubio afirmou que a Venezuela deverá fornecer entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA para comercialização no mercado internacional, algo que Trump já havia antecipado.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, declarou que Washington pretende controlar por tempo indeterminado a venda do petróleo venezuelano. Segundo ele, os recursos obtidos com essas vendas serão depositados em contas administradas pelo governo norte-americano.
“Vamos colocar no mercado o petróleo bruto que hoje sai da Venezuela e, depois, vender toda a produção de forma contínua”, afirmou Wright durante uma conferência de energia da Goldman Sachs, em Miami. Rubio acrescentou que o dinheiro será gerido de modo a beneficiar a população venezuelana, e não a corrupção ou antigos grupos no poder.
Recuperação
A segunda etapa é a recuperação econômica e social. Rubio explicou que essa fase prevê a abertura do mercado venezuelano para empresas americanas, ocidentais e de outros países, em condições consideradas justas.
Paralelamente, o governo dos EUA pretende iniciar um processo de reconciliação nacional. A proposta inclui a libertação de opositores presos e o retorno de lideranças políticas ao país, com o objetivo de reconstruir a sociedade civil e as instituições venezuelanas.
Transição
A terceira e última fase do plano é a transição política, que consolidaria a mudança interna na Venezuela. Rubio, no entanto, não detalhou como esse processo ocorrerá nem mencionou a realização de novas eleições.
Vale lembrar que os Estados Unidos e outros países reconheceram Edmundo González como vencedor das últimas eleições venezuelanas, após acusações de fraude na apuração divulgada pelo governo de Maduro. Em entrevista recente à CBS, María Corina Machado afirmou que “o povo da Venezuela já escolheu” quem deve liderar o país e disse que a oposição está pronta para assumir essa responsabilidade.
Atualmente, a vice-presidente indicada por Maduro, Delcy Rodríguez, ocupa o cargo de presidente interina da Venezuela.
Fonte:Notícias ao minuto



