Governo Trump indicia Raúl Castro, ex-presidente de Cuba



SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O governo Trump indiciou nesta quarta-feira (20) Raúl Castro, 94, ex-presidente de Cuba. A informação foi divulgada inicialmente por uma fonte à agência de notícias Reuters.

O homem foi acusado de conspiração para matar cidadãos americanos, quatro homicídios e destruição de aeronaves. A confirmação, também dada por outros jornais como a CNN, antecipa um anúncio esperado para a tarde desta quarta-feira (20), durante um evento em homenagem à população cubana, em Miami.

Indiciamento tem como base um incidente de 1996, em que jatos cubanos derrubaram aviões operados por um grupo de cubanos exilados. Quatro pessoas morreram na ocasião. O evento desta tarde vai homenagear estas vítimas.

O indiciamento aumenta a campanha de pressão contra o governo comunista da ilha. Agora, a acusação precisa ser aprovada por um grande júri para seguir.
O processo criminal contra Castro lembra a acusação anterior de tráfico de drogas contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. A acusação contra Maduro foi usada pelo governo Trump para justificar a operação de janeiro que capturou o venezuelano, que se declarou inocente.

Em março, Trump ameaçou que Cuba “seria a próxima” depois da Venezuela. Desde então, as sanções e pressões econômicas contra a ilha se intensificaram.

O principal promotor federal em Miami, Jason Reding Quiñones, é um aliado de Trump. Além do caso envolvendo Castro, ele também supervisiona uma investigação sobre o ex-diretor da CIA John Brennan, um adversário de longa data de Trump.

Mais cedo, legisladores da Flórida fizeram uma declaração pública pedindo o indiciamento de Castro. “Esperamos que o dia da justiça tenha, finalmente, chegado”, disse Mario Diaz-Balart, republicano e sobrinho da primeira esposa de Fidel Castro, Hilda Caballero Brunet.

Castro apareceu em público em Cuba pela última vez no início deste mês. Desde então, não há evidências de que ele tenha deixado a ilha ou de que o governo permita sua extradição.

QUEM É RAÚL CASTRO

Raúl Castro é irmão de Fidel Castro, o revolucionário e inimigo de longa data dos Estados Unidos. Enquanto Fidel liderou o governo comunista da ilha por décadas, Raúl Castro deixou o cargo de presidente de Cuba em 2018.

Dois anos após deixar a presidência de Cuba, Raúl Castro entregou a liderança do partido comunista em 2021. nesta quarta-feira (20), quem preside Cuba e lidera o partido é Miguel Díaz-Canel.

Raúl Castro era ministro da Defesa de Cuba durante o incidente de 1996, que culminou no seu indiciamento nesta quarta-feira (20). O governo cubano argumentou que o ataque foi uma resposta legítima à invasão dos aviões no espaço aéreo cubano.

Os Estados Unidos condenaram o ataque e impuseram sanções, mas não tinham apresentado acusações criminais contra nenhum dos irmãos Castro até nesta quarta-feira (20). O Departamento de Justiça acusou três oficiais militares cubanos em 2003, mas eles nunca foram extraditados.

PRESSÃO SOBRE CUBA

Tensões entre Washington e Havana subiram nos últimos meses, com a situação piorando após a prisão de Nicolás Maduro na Venezuela. O governo Trump descreveu o atual governo comunista de Cuba como “corrupto e incompetente” e segue pressionando por uma mudança de regime.

O ápice da pressão aconteceu quando Trump implementou um bloqueio e ameaçou com sanções os países que fornecem combustível a Cuba. Com isso, interrupções no fornecimento de energia tornaram-se ainda mais frequentes e danos economia foram causados.

Em uma rara visita à ilha, o chefe da CIA, John Ratcliffe, disse que os EUA auxiliariam Cuba em questões econômicas e de segurança “se houver mudanças fundamentais”. O recado foi transmitido a pedido do presidente Donald Trump.

CUBA ESTÁ SOB SANÇÕES DOS EUA HÁ MAIS DE 60 ANOS

Os EUA mantêm um embargo econômico amplo contra a República de Cuba há seis décadas. Em fevereiro de 1962, o presidente John F. Kennedy proclamou um embargo comercial entre os países, em resposta a certas ações tomadas pelo governo cubano, e instruiu os Departamentos de Comércio e do Tesouro a implementar o embargo, que permanece em vigor até nesta quarta-feira (20).

Ao longo dos anos, as sanções foram se fortalecendo. O bloqueio impõe sanções contra navios que atracam em portos cubanos, proibindo-os de entrar nos EUA por seis meses. Além disso, impede que entidades de outros países que operem com mais de 10% de capital estadunidense façam qualquer tipo de comercialização com Cuba.

Em outubro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou, pela 32ª vez consecutiva, a necessidade de acabar com o embargo. Esta resolução foi aprovada por 187 países, tendo apenas uma abstenção -da Moldávia- e dois emblemáticos votos contrários: dos Estados Unidos e de Israel.

Joe Biden suavizou ação contra Cuba e excluiu país da lista de patrocinadores do terrorismo. Às vésperas de deixar o poder, o então presidente dos EUA editou a lista como parte de um gesto para garantir que Havana liberte prisioneiros políticos, e abrindo espaço para investimentos e um maior comércio com a ilha.

Meses depois, Trump incluiu o país novamente na lista. “Em 2024, o regime cubano não cooperou plenamente com os Estados Unidos em matéria antiterrorista”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, em um comunicado que especifica que outros quatro países – Venezuela, Coreia do Norte, Irã e Síria – permanecem na lista.

Cuba nega a existência de presos políticos e acusa os opositores de serem “mercenários” dos Estados Unidos. “São eles que se recusam a cooperar com Cuba e outros países na luta contra o terrorismo, o que é compreensível. O histórico de cumplicidade e participação de agências governamentais americanas no terrorismo está bem documentado”, acusou o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, na rede social X, à época.

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Fonte:Notícias ao minuto

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