Putin tem vitória recorde em eleição parlamentar criticada



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Na primeira eleição parlamentar realizada na Rússia após a invasão da Ucrânia, o partido de sustentação ao governo de Vladimir Putin teve uma vitória recorde em termos de ganhos de cadeiras na Duma, a Câmara dos Deputados do país.

Segundo anunciou nesta segunda-feira (21) a Comissão Eleitoral Central, a sigla Rússia Unida deverá passar de 315 para 355 vagas. O máximo que já ganhou havia sido 343 em 2016.

Seus aliados diretos terão 29 cadeiras, enquanto os algo mais distantes Partido Comunista e Novo Povo caíram respectivamente de 57 para 40 e de 15 para 4 lugares. Foram apurados 95% dos votos, divididos em lista partidária e candidaturas individuais, e o resultado final sai na sexta (25).

Com isso, o plano de Putin de envernizar sua liderança e o conflito iniciado em 2022 com o respaldo popular foi concretizado: o comparecimento de 60% foi o maior desde 2003. No jogo de poder russo, esse apoio é central para a manutenção do controle do Kremlin.

Esta eleição foi a menos livre da história da Rússia pós-soviética, menos pelas usuais alegações de fraude que são mais comuns nas disputas regionais, e mais pela calcificação final do sistema político sob Putin. A guerra lhe deu instrumentos para enterrar de vez o que havia de oposição no país.

O pleito apenas confirmou o cenário político único sob a liderança de Putin neste momento, em que mesmo o voto de protesto pontual foi coibido.

Leis aprovadas após a invasão punem severamente a crítica ao conflito ou às Forças Armadas. Assim, o único partido de uma oposição consentida pelo Kremlin, o liberal Iabloko (maçã, em russo), foi barrado pela Justiça de concorrer no voto em lista.

Não que tivesse muita chance, num país em que a avaliação positiva de Putin até caiu recentemente, mas flutua acima dos 70% em pesquisas oficiais e independentes. Nenhum deputado do Iabloko, dos poucos que puderam concorrer individualmente, foi eleito.

O partido encolheu também nas eleições legislativas em nível regional, passando de representação em três Parlamentos para apenas um. Houve também pleito para governos, com domínio de aliados de Putin, notavelmente o tchetcheno Ramzan Kadirov, reeleito com folclóricos 99,85% do voto.

No voto federal, o Rússia Unida, criado em 2001 para apoiar Putin, teve quase 58%, um pouco abaixo do recorde de 64% de 2007 -quando de resto só havia voto em partidos, não em candidatos avulsos.

Veteranos da guerra, que o Kremlin vende ao eleitorado como “a nova elite do país”, somarão 86 deputados na nova legislatura. Não alinhados oficialmente ao governo, os comunistas e os integrantes do Novo Povo votam por políticas pró-Putin invariavelmente.

A guerra esteve bastante presente no pleito. No domingo (20), terceiro dia da votação, Kiev promoveu o maior ataque aéreo contra a região de Moscou desde o começo da guerra, com mais de 450 dos 1.000 drones lançados contra o país. Ao menos três pessoas morreram em áreas próximas da capital, e uma refinaria de petróleo foi atingida.

A campanha ucraniana contra o sistema energético e logístico russo, que tem levado a uma troca ainda mais intensa de fogo entre os rivais, gerou uma crise de abastecimento de combustível no segundo maior produtor de petróleo do mundo.

Putin teve de banir exportações de derivados como diesel, afetando países como o Brasil, e há racionamento de gasolina em todo o território russo. O presidente afirma que a crise é passageira, mas não há sinais de que esteja arrefecendo.

O estrago tem preocupado o americano Donald Trump, que retomou o papel de tentar mediar um fim do conflito neste mês. Neste domingo, segundo o jornal britânico Financial Times, ele ligou pela segunda vez ao colega Volodimir Zelenski para pedir o fim desses ataques.

Na lógica que Trump tenta emplacar, a disrupção da produção russa tem pressionado o preço do diesel mundo afora, e não sua própria guerra no Irã e o muito mais grave fechamento do estreito de Hormuz.

O americano enfrenta sua eleição parlamentar em condições bem menos vantajosas do que Putin, e seu Partido Republicano pode perder o controle do Congresso. A inflação de até 50% nos preços de combustíveis nos Estados Unidos é um dos itens de descontentamento do eleitorado.

Trump havia até anunciado uma trégua desse tipo de ataque no conflito europeu, mas Moscou e Kiev apenas elogiaram a iniciativa, ignorando-a.

A Presidência ucraniana disse que a conversa com Trump foi positiva e que os líderes deverão se encontrar às margens da Assembleia-Geral da ONU, na terça (22).

Ao mesmo tempo, o republicano aumentou a pressão sobre Putin ao sancionar, na sexta, um novo pacote de sanções que permitirá aos EUA punir países que comprem petróleo russo, como Índia e China. O Kremlin voltou a dizer nesta segunda que a iniciativa não facilitará um acordo de paz.

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Fonte:Notícias ao minuto

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