(FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em entrevista nesta segunda-feira (5) que a Venezuela, país que o republicano diz querer governar, não terá eleições nos próximos 30 dias.
“Precisamos consertar o país primeiro, não dá pra ter uma eleição. As pessoas nem conseguiriam votar. Precisamos revitalizar o país”, disse Trump à emissora NBC News.
O prazo foi mencionado pelo presidente americano porque a Constituição venezuelana estipula que, em casos de “ausência absoluta” de um presidente, como impeachment ou morte, um novo pleito precisa acontecer no espaço de um mês.
Entretanto, em caso de “ausência temporária”, cenário sem exemplos explícitos no texto constitucional, o vice pode assumir o comando do país por noventa dias, prorrogáveis por mais noventa, quando, então, devem ser realizadas novas eleições.
O americano disse ainda que os EUA não estão em guerra com a Venezuela, e sim com traficantes de drogas. “Estamos numa guerra contra as pessoas que vendem drogas, que esvaziam suas prisões e hospitais de saúde mental e mandam criminosos, viciados e doentes mentais para os EUA”, afirmou, repetindo a retórica que usa desde as campanhas eleitorais com a bandeira anti-imigração.
Na entrevista, Trump repetiu que estará “no controle” da Venezuela no futuro, auxiliado por integrantes do primeiro escalão de seu governo, como o secretário de Estado, Marco Rubio, o de Defesa, Pete Hegseth, e o vice-presidente, J. D. Vance.
Nesta segunda, a chavista Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, foi empossada como líder interina da Venezuela em cerimônia na Assembleia Nacional pelo prazo inicial de 90 dias, indicando que o regime enxergou, ao menos constitucionalmente, a captura do ditador como “ausência temporária”.
Em discurso, Delcy declarou lealdade ao ditador, disse que assumia “com pesar” após uma “agressão militar ilegítima” e não deu sinais de que estará mais disposta a ceder às exigências de Washington do que Maduro.
Trump, entretanto, disse na entrevista à NBC que Delcy vem cooperando com os EUA, sugerindo que sanções americanas contra a líder interina podem ser suspensas em breve. Questionado se houve anuência de Delcy ou de militares venezuelanos para a captura de Maduro no sábado (3), Trump negou: “Muitas pessoas queriam fazer esse acordo, mas decidimos fazer do jeito que foi”.
O presidente disse que Rubio, chefe da diplomacia americana, está em contato direto com a líder interina. “O relacionamento tem sido muito forte. Ele fala com ela em espanhol fluente”, disse Trump -Rubio é filho de cubanos exilados.
O ataque contra a Venezuela envolveu cerca de 200 soldados americanos, que invadiram Caracas e enfrentaram resistência mínima enquanto capturavam o ditador. Nenhum militar dos EUA foi morto, enquanto pelo menos 40 pessoas, entre guarda-costas cubanos de Maduro e militares e civis venezuelanos, foram mortos pelos americanos.
A facilidade com a qual a operação transcorreu levantou suspeitas de que houvesse um acordo secreto entre setores do regime e os EUA para que Maduro fosse removido -Trump negou a sugestão nesta segunda.
O presidente também desmentiu uma reportagem do The Washington Post segundo a qual ele teria decidido escantear María Corina Machado, principal líder da oposição venezuelana, porque ela ganhou o prêmio Nobel da Paz, cobiçado por Trump. “Ela não deveria ter vencido, mas isso não teve nada a ver com a minha decisão” de não colocá-la no comando do país, afirmou.
No domingo (4), o ex-diplomata Edmundo González, que afirma ter sido o vencedor das eleições presidenciais de 2024, disse ser o novo presidente da Venezuela. Em vídeo, González instou as Forças Armadas a reconhecer sua autoridade.
Trump voltou a dizer na entrevista que pretende abrir a indústria petrolífera da Venezuela, nacionalizada desde os anos 1970, a empresas americanas, afirmando que seu governo pode subsidiar o retorno das petroleiras dos EUA ao país, dono das maiores reservas do mundo.
Segundo o republicano, o projeto de modernizar a extração de petróleo venezuelano pode ser concluído em 18 meses -especialistas acreditam que qualquer esforço do tipo seria uma empreitada de décadas. “Acho que podemos fazer em até menos tempo [do que um ano e meio], mas vai custar caro”, disse Trump.
“Uma quantidade gigantesca de dinheiro terá que ser gasta, e as petroleiras vão gastar, mas podem ser reembolsadas por nós”, disse. Analistas que acompanham o setor energético expressam dúvidas sobre o desejo das grande petroleiras de fazer as vontade de Trump, dado o histórico venezuelano de nacionalizações e o nível de investimentos necessário para lucrar em um momento de baixa no preço da commodity.
Líderes das três maiores empresas de petróleo dos EUA -a Exxon, a ConocoPhilips e a Chevron- se reunirão na próxima quinta-feira (8) com o secretário de Energia do governo Trump, Chris Wright, segundo a imprensa americana.
Fonte:Notícias ao minuto



