
Noelia Castillo, de 25 anos, foi eutanasiada na última quinta-feira, dia 26 de março, após uma batalha judicial de cerca de dois anos com o pai, que se opôs à sua decisão. Mas, apesar dos desentendimentos, a jovem relatou que teve momentos felizes junto do pai, que a apoiou durante a sua recuperação e a ajudou a reaprender a andar após uma tentativa de suicídio.
Aliás, há um vídeo gravado pelo pai de Noelia que mostra precisamente esses momentos, onde a jovem é encorajada a levantar-se da cadeira de rodas e a caminhar.
“Ação! Olha que máquina. Estamos passando por Badalona. Ela é muito boa, em breve vai conseguir correr. Olha para mim, que máquina”, ouve-se o pai de Noelia dizendo um vídeo partilhado pelo Ok Diario – e que pode ver abaixo.
El nuevo vídeo de Noelia Castillo andando y sonriendo a su padre: «Ya mismo está corriendo».
️ Te lo cuenta Irene Tabera (@irenetabera).
Lee la noticia aquí: https://t.co/scOsk2DFIL pic.twitter.com/3qL0kjMqV6
— okdiario.com (@okdiario) March 27, 2026
Um esforço que levou médicos e familiares a acreditarem que se tratava de um milagre — algo que a família esperava que também acontecesse na última quinta-feira, com a desistência da jovem da eutanásia.
Noelia Castillo, vale lembrar, tentou tirar a própria vida ao se jogar do quinto andar de um prédio. Ela sobreviveu à queda, mas sofreu lesões na coluna que a deixaram paraplégica.
Após o episódio, solicitou a eutanásia, decisão à qual seus pais e irmãs se opuseram. O procedimento foi autorizado em julho do ano passado, mas o pai tentou recorrer a outras instâncias para impedir a morte assistida da filha.
Família acompanhou o processo
Apesar de Noelia Castillo ter pedido que os pais não estivessem presentes no momento da eutanásia, a família pôde acompanhar o processo no Hospital Sant Camil.
Segundo o OK Diario, o pai da jovem deixou o hospital por uma saída discreta, tentando preservar a privacidade e evitar as pessoas que estavam do lado de fora. A mãe, embora não concordasse com a decisão, acabou respeitando a vontade da filha.
Noelia quis passar seus últimos momentos cercada pelos familiares mais próximos, mas ninguém teve autorização para entrar na sala onde a eutanásia foi realizada.
A batalha judicial com o pai
A história começou em 2022, quando Noelia Castillo tentou suicídio após sofrer uma agressão sexual em grupo.
Em abril de 2024, ela iniciou formalmente o pedido de eutanásia, alegando que sua condição era “grave, crônica e incapacitante”. Para ela, a dor não era apenas física, mas também emocional.
A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha considerou que o pedido estava de acordo com a lei, que permite a eutanásia a pessoas com plena capacidade mental que sofram de doença grave e incurável ou de sofrimento crônico e incapacitante.
No entanto, poucos dias antes do procedimento inicialmente marcado para agosto de 2024, a Justiça aceitou um recurso apresentado pelo pai, que alegava que a filha poderia ter sua capacidade de decisão comprometida por questões mentais.
Em março de 2025, Noelia Castillo reiterou o pedido em uma audiência fechada. O procedimento foi novamente autorizado, mas o pai seguiu tentando impedir a decisão, com apoio de uma organização cristã ultraconservadora. Entre recursos e decisões judiciais, a disputa durou quase dois anos.
“Quero partir em paz”
Em entrevista ao programa Y ahora Sonsoles, do canal Antena 3, Noelia afirmou que queria “partir em paz e deixar de sofrer”.
Ela também destacou que nenhum membro da família apoiava sua decisão:
“Ninguém da minha família é a favor da eutanásia. Obviamente, porque sou um dos pilares da família. Eu vou embora, mas eles ficam com toda a dor. Mas eu penso: e eu, com toda a dor que sofri todos esses anos? Quero partir em paz agora e parar de sofrer, ponto final.”
Noelia também afirmou que “a felicidade de um pai, de uma mãe ou de uma irmã” não pode ser “mais importante do que a vida de uma filha”.
Vale destacar que o parlamento da Espanha aprovou em 2021 uma lei que descriminaliza a eutanásia, tornando o país um dos poucos no mundo a permitir a prática para evitar “sofrimento insuportável”.
Desde a entrada em vigor da lei até o fim de 2024, 1.123 pessoas passaram pelo procedimento, segundo dados do Ministério da Saúde espanhol.
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Fonte:Notícias ao minuto


