Avião ucraniano com munição era alvo de drone na Alemanha, diz mídia



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O avião de carga ucraniano ao lado do qual foi encontrado um drone com explosivos na Alemanha estava carregado de munição e talvez outros armamentos, segundo a apuração preliminar da polícia local.

Diversos órgãos da mídia alemã, como o jornal Süddeutsche Zeitung e as redes NDR e WDR, divulgaram a informação nesta quinta-feira (6).

O incidente ocorreu na quarta (5), quando trabalhadores do aeroporto de Leipzig-Halle descobriram o aparelho ao lado de um An-124, um dos maiores aviões de transporte do mundo, operado pela Antonov Airlines.

A empresa de logística tinha sua base próxima de Kiev, mas ela foi destruída no início da invasão russa de 2022. Além disso, o espaço aéreo do país está fechado para uso comercial. Com isso, passou a usar o aeroporto alemão como centro de operações, como faz a gigante DHL, maior companhia do setor no mundo.

A aliança militar Otan também faz uso do local para distribuição de material bélico.

Ainda não se sabe a natureza exata da carga, apenas que ela vinha da França. Se estava destinada ao esforço de guerra de Kiev, como parece presumível, ela poderia seguir por terra ou ainda ser levada de avião até a fronteira da Polônia ou mesmo em um voo mais arriscado até a Ucrânia.

Se isso for confirmado, terá sido a primeira tentativa de ataque contra uma linha de suprimento de membros da Otan para auxiliar Kiev na guerra fora do território ucraniano.

Segundo os relatos da mídia alemã, a análise do explosivo carregado pelo quadricóptero mostrou que ele era de alta potência e uso militar, não material caseiro feito com gasolina e fertilizantes, como havia sido dito inicialmente.

Como se trata do chamado ataque híbrido, desenhado para ter a autoria negada, a acusação mais óbvia contra a Rússia tende a ficar apenas na retórica. O Kremlin, que não comentou o caso alemão, já disse diversas vezes que tais insinuações são apenas preconceito russofóbico e propaganda.

A polícia alemã, que vasculhou o aeroporto atrás de mais explosivos nesta quinta, também procura os restos do objeto que atingiu um Boeing 757-200F de carga da DHL que decolou de Leipzig pouco antes da meia-noite de quarta. A suspeita é de que se tratava de outro drone, e o avião desviou sua rota para Hannover, onde pousou em segurança.

Os incidentes reacenderam a preocupação europeia com o uso de drones em seu território. Um estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, analisou 144 ocorrências de 2024 a 2026, concluindo que elas estavam ligadas a uma campanha russa de teste das capacidades defensivas da Otan.

O país mais afetado pelos drones foi justamente a Alemanha, com 56 incidentes relatados. No caso de Leipzig, o aeroporto teve 19 voos desviados até restabelecer suas operações.

Um sinal da reação europeia, ainda que o governo alemão não tenha feito nenhuma acusação a Moscou, veio da Lituânia nesta quinta.

O ministro da Defesa do país, Robertas Kaunas, afirmou que seu serviço de inteligência acredita que a Rússia pode usar drones capturados da Ucrânia para lançar ataques contra os três Estados bálticos -a Lituânia, a Letônia e a Estônia, que fizeram parte da União Soviética e estão na linha de frente do atrito com o Kremlin.

Segundo Kaunas, o chamado ataque de “bandeira falsa” seria uma forma de reduzir o apoio a Kiev. Nos últimos meses, alguns drones ucranianos caíram na área do Báltico, mas até aqui os casos foram considerados acidentes. A Romênia e a Polônia também foram afetadas por drones de ambos os rivais.

No campo militar, a Ucrânia continuou nesta quinta sua campanha com drones de longa distância contra os russos, matando duas pessoas na região de Briansk, atingindo duas refinarias e um depósito da rede de comércio online Wildberries.

Na véspera, Kiev havia sofrido um ataque com mísseis contra infraestrutura comercial análoga à atingida na Rússia, mudando o patamar da guerra, que vive sua fase mais violenta e mortífera para civis desde a eclosão do conflito. Dezessete pessoas morreram no bombardeio à capital.

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Fonte:Notícias ao minuto

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